quarta-feira, 29 de maio de 2013

A HISTÓRIA DA PUBLICIDADE E DA PROPAGANDA NO BRASIL: Referências


ALVES, C.S; PERTEMANN, Juliana. A publicidade contemporânea e a comunicação com o novo consumidor na era digital. PP, tendências e evolução 2, Curitiba, set. 2009.

BARICHELLO, Eugenia Maria Mariano da Rocha; OLIVEIRA, Cristiane Cleveston de. O Marketing viral como estratégia publicitária nas novas ambiências midiáticas. Em Questão, Porto Alegre, v. 16, n. 1, p. 29 - 44, jan./jun. 2010

CHAUÍ, Marilena. O que é ideologia. São Paulo: Brasiliense,2001.

GRAF, Marília G. Propaganda de lá para cá. São Paulo: Ibrasa, 2003.

LAZARSFELD, Paul F.; MERTON, Robert K. Comunicação de massa, gosto popular e ação social organizada. [1948]

Livro. 100 ANOS DE PROPAGANDA. São Paulo: Abril Cultural, 1980

MARCONDES, Pyr. Uma história da propaganda brasileira. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002.

PINHO, J.B. Propaganda Institucional: usos e funções da propaganda em relações públicas. São Paulo: Summus, 1990.

QUEIROZ, Adolpho. Inventário acadêmico e profissional da história da propaganda no Brasil. Comunicação & Sociedade: São Bernardo do Campo, 2007.

SAMPAIO, Rafael. Propaganda de A a Z. Rio de Janeiro: Campus, 1995.

SILVA, Fernando Mendes da Silva; COUTINHO, Renata Corrêa. Raízes históricas da propaganda no Brasil e no mundo. [20-?].





A HISTÓRIA DA PUBLICIDADE E DA PROPAGANDA NO BRASIL: A virada do século XXI e as novas tendências de mercado


A publicidade é responsável por manter uma grande parte da mídia no setor de negócios, produção, criação e divulgação. Os lucros conquistados pela publicidade nos anos 2000 foram bons, devido à alta qualidade aos seus trabalhos, sua maturidade e capacidade de adequar-se às necessidades do consumidor que, por sua vez, é exigente e acostumado com altas tecnologias e inovações. Através dessa exigência, transformam os profissionais da área em cada vez mais qualificados e preparados para atuarem no setor com pensamentos sempre a frente que os dos clientes.
Em 2000 e 2001, assim como em alguns séculos atrás, a propaganda ganha um grande poder de influenciar opiniões e sentimentos, ajudando na formação ou na mudança das atitudes na sociedade. Isto, através da analise da interação das pessoas com as mensagens publicitárias televisivas, e se essas mensagens alcançavam seus objetivos e metas originando o processo de interação entre o remetente e destinatário, levando em consideração o poder de influência da publicidade nos meios de comunicação. Em 2001, foram gerados grandes investimentos e altas margens de produções em relação à televisão.
As pesquisas do ano de 2002 consideravam que a publicidade não analisava as diferenças entre as mulheres. A partir dessa concepção, os estudos em relação à mulher se aprofundaram, levando em consideração suas transformações ao longo do tempo seu o modo de percepção, opinião e de criticar. Após esta época de interação da publicidade com o mundo feminino, 2003 foi o momento de grandes interesses e disputas de poder na mídia trazendo críticas ao machismo e ao racismo nas campanhas. Nessa diversidade encontramos valores, modelos, comportamento, modos de pensar, de sentir entre outros. Tornou-se um momento de interatividade com as diversas culturas.
O quinto ano do século XXI, foi marcado por um intervalo em que menos verbas e produções foram atribuídas fazendo com que o número de telespectadores diminuísse bastante. Foi uma ano de introdução da publicidade e a propaganda nas escolas para uma contribuição na formação de alunos mais receptores as informações. O ano teve como objetivo investir na propaganda sobre o público infantil e descobriram o grande poder de convencimento que as crianças possuem sobre os pais, pois, consomem muito propagandas de TV e independente de idade, elas têm uma visão mais ampla sobre a mídia. As crianças são consumidoras, e sabem fazer críticas às propagandas e programas transmitidos.
Atualmente a sociedade vem passando por mudanças tecnológicas e uma delas é o grande consumo da internet, que tem se tornado um dos principais meios de comunicação utilizados em muitos países, que possibilita a interação de massa em diversos sentidos, uma relação indireta entre os componentes comunicativos, mas relações diretas entre as culturas. A publicidade e propaganda são extremamente ligadas às culturas e as sociedades. Cada dia conquistando o seu espaço e ao longo desses anos suas novas técnicas e compreensão da sociedade mudou a visão do mercado e exigências do publico em geral.


“Apesar das mudanças culturais e sociais já estarem acontecendo desde a década de setenta, foi apenas com a popularização das tecnologias digitais e da internet que esse movimento ganhou forças, tornando-se notável e crescente.”(ALVES, C.S; PERTEMANN, J., 2009).


O consumidor assume um papel diferente, agora, este pode interagir com os meios de comunicação, dando um retorno que não era possível através dos meios de comunicação convencionais como a TV e o radio. Entendemos assim que o consumidor passou a ter um poder de escolha e também de exigência bem maior, uma vez que ele pode simplesmente recusar uma propaganda, como também pode compartilhar de forma a influenciar outras pessoas a não comprarem determinado produto.
 Com essas mudanças a publicidade teve de se adaptar ao novo consumidor. Segundo ALVES e PERTEMANN “Se o consumidor muda, mudam também as práticas empresariais”. Sendo assim, a publicidade se viu obrigada a explorar além do convencional, como por exemplo, utilizando da multidisciplinaridade e também várias outras formas para uma mesma propaganda em diversas mídias diferentes.
 Com um foco de fazer uma propaganda mais persuasiva do que intrusiva, o uso das redes sociais só favorecem o contato direto entre a marca e seus consumidores, como por exemplo, criando-se blogs, paginas no facebook, instagram, twitter e inúmeras redes sociais que aproximam a marca do consumidor. Entende-se que as marcas buscam criar um elo com o seus consumidores, com a intenção de mantê-los fieis e fazer com que eles compartilhem a marca e assim atinjam novos públicos. Os anunciantes utilizam do Marketing Viral para alcançar esses consumidores e propagar um produto e uma ideologia.


Na antiga propaganda, o consumidor era o ponto final de uma comunicação baseada numa relação emissor versus receptor, ou seja, as preocupações se encerravam com a assimilação da mensagem pelo consumidor. Na propaganda moderna, essa relação é só o começo da história. O consumidor é reconhecido como o principal potencializador e propagador da mensagem para outros grupos de pessoas (FIGUEIRA, 2006, p. 58).


Vemos aqui novamente sobre o novo papel do consumidor, como dito acima, ele agora não é passivo em relação a informação que chega até ele, mas ele agora se torna um emissor ao compartilhar através das redes sociais determinada propaganda. Com a mudança do consumidor podemos ver que a publicidade foi obrigada a se reinventar e, conforme as mudanças continuem ocorrendo, sempre haverá a necessidade da propaganda mudar juntamente com ele. Portanto, a principal tendência da propaganda será, sempre, se adequar a este consumidor cada vez mais exigente e as constantes mudanças ideológicas sofridas pela sociedade de massa.



A HISTÓRIA DA PUBLICIDADE E DA PROPAGANDA NO BRASIL: As mudanças na propaganda nas três ultimas décadas do século XX

Na década de 80, os jovens se tornaram-se executivos e empreendedores em busca fama e dinheiro. Nesse período, o setor da propaganda marcou passo com uma série de mudanças editorias através  do amadurecimento do mercado. A revista Pop, dirigida ao público jovem, trazia matérias de rock e música, além de reportagens sobre esportes e comportamentos. As revistas masculinas de maior circulação (Playboy, Ele & Ela e Status) também incluíam artigos e  reportagens. Em 1980 a revista Época completava 4 e a Tv brasileira 30 anos de existência enquanto, no mesmo ano, a TV Tupi declarava falência. Num processo liderado pela TV Globo, as emissoras brasileira sofisticou suas vinhetas, chamadas, apresentações e quadros dentro de seus programas, foi a entrada definitiva de todas as emissoras na era da linguagem visual eletrônica. No dia 19 de agosto de 1981, direto de Brasília, foi implantado o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT). Em 1982  O Brasilat possibilitou que a transmissão dos sinais de TV fossem feitas através de satélites sendo, a rede Bandeirantes, pioneira na tecnologia. Já em 1985, todas as emissoras do país estavam plugadas neste satélite doméstico, que levava à casa do telespectador imagens de qualidade.
A década  de 90 foi o momento de altos e baixos na propaganda brasileira.  No início, o Brasil perdeu o ritmo de investimento, se comparado as décadas anteriores, devido as dificuldades econômicas do período. Em março de 1990, o Governo Federal suspendeu todas as campanhas publicitárias em veiculação, congelou seus investimentos e centralizou o controle de verbas nas mãos do secretário particular do presidente. Ou seja, cerca de US$ 300 milhões a US$ 500 milhões de dólares sumiram do mercado. Em março do mesmo ano a propaganda parou e as redes de TV que sofreram menos impacto foram a Globo e o SBT. Em geral as emissoras reduziram a jornada total de suas programações e também tiveram que demitir vários funcionários. O setor do rádio sofreu tanto como os outros meios de comunicação. Mas apesar de tudo, boas coisas aconteceram como, em 1991, a transmissão do rádio com o uso do satélite.
No ano seguinte, Collor congelou os preços novamente e trinta e oito anunciantes, de janeiro de 1991 a fevereiro de 1992, com verbas anuais acima de US$ 1 milhão, haviam mudado suas contas para agências de porte médio consideradas, pelo anunciantes, mais rápidas e criativas. Para muitos, 92 foi o ano das falências enquanto que, para outros, foi o ano das fusões entre empresas ou ainda o ano das demissões. Os anos 90 apesar de terem um ritmo acelerado com a popularização da internet só começou a alcançar a estabilidade financeira por meio da implantação do plano real, com o então presidente Fernando Henrique Cardoso. Em 1995 a eterna briga de mercado entre Coca Cola e Pepsi ainda estava quente. A Pepsi havia detonado sua campanha do relançamento no Brasil, em grande estilo, ironizando a Coca. A empresa reponde com um filme da McCann/Rio, no qual uma máquina de xerox fantástica, última geração, que copia tudo, não consegue copiar uma Coca-Cola. O apresentador da máquina admite: “Copiar Coca-Cola não dá”. No mesmo ano, cresce o número de leitores de jornal e revistas em todo o país, e a propaganda seguia registrando índices de crescimento.


A partir da implantação do Plano Real o processo de inflação pode ser amenizado e o cenário econômico teve uma mudança positiva, o que animou a expansão do mercado consumidor brasileiro. Os recursos utilizados em Publicidade no Brasil permaneceram em ascensão e, de acordo com o semanário especializado Meio & Mensagem (03/2001), já alcançam o valor de 6,43 bilhões de dólares/ano. A publicidade no Brasil se encontrava na sexta posição frente aos 10 maiores mercados globais do mundo e é o único país emergente a figurar neste ranking da revista americana Advertising Age (nov. 2000), especializada em propaganda. Os investimentos realizados em publicidade ultrapassam as cifras de alguns países ditos desenvolvidos, como Itália e Canadá.

A HISTÓRIA DA PUBLICIDADE E DA PROPAGANDA NO BRASIL: Produtos e status


O creme dental Kolynos inaugura, uma nova era com o texto “Gente de espírito moço, que precisa causar boa impressão, prefere Kolynos...” associando status e agregando valores inéditos nos anúncios. Em meados da década de 70, a televisão se transforma no grande veículo da comunicação de massa e os investimentos do Produto Nacional Bruto no setor passam de 0,7% para 1,3% em menos de duas décadas. O crescimento acelerado na propaganda fez com as técnicas de marketing também se aprimorassem rapidamente e, agora, a pesquisa estatística determina os veículos publicitários mais adequados para cada produto. 


A publicidade se sofistica e passa a atender aos anseios dos “brasões” da nova riqueza: automóveis como o Fissore, da Vemag, aparecem como símbolo de nobreza e status. Porém, os produtos para o lar continuam a ser os mais consumidos e, agora, as donas de casa buscam a praticidade com o objetivo de aumentarem suas horas de lazer. Além de homens e mulheres adultos, o mercado jovem também constituía um dos três principais públicos alvo da época.
Neste período, crescem nos anúncios os apelos pela violência e radicalização, com influência do movimento estudantil no Ocidente, e os eróticos, por meio do uso do corpo feminino, abrindo a era da liberação dos costumes. A sociedade mudava culturalmente e as mulheres passam a ser cada vez mais independentes, tanto no campo profissional como no existencial.
Pouco a pouco, a publicidade e os meios de comunicação de forma geral influenciavam as mudanças no costume de cada consumidor. Os interesses econômicos do país falavam mais alto em relação ao que seria publicado nos anúncios, como no caso do incentivo ao consumo de café solúvel nacional, sujo estoque estava difícil de ser vendido nos Estados Unidos. Sobre este mesmo aspecto, podemos citar ainda a ideia de “Brasil, grande potência” impregnada na consciência do consumidor através de campanhas de incentivo da alfabetização e da construção da rodovia transamazônica.

O governo ditatorial da década de 70 pregava, através da propaganda, o espirito de nacionalidade presente nos constantes anúncios que elogiavam e idolatravam a pátria e o governo da época. O motim que reinava no país neste período não atrapalhou o desenvolvimento da propaganda que, como sempre, com a ajuda da criatividade fazia de toda e qualquer situação o motivo do sucesso de vendas dos produtos e serviços anunciados. Apesar de toda a repressão gerada pelo regime, o governo militar realizou o milagre econômico que transformou radicalmente a imagem do país nos anos 70. O bolso cheio e o orgulho pelo tricampeonato mundial de futebol influenciou o consumidor a comprar cada vez mais o que, sem duvidas, enchia os olhos dos publicitários do período que organizavam campanhas cada vez mais confiantes. 

A inflação galopante do período, responsável pelo nascimento da nota de 1000 cruzeiros, não impediu que ficasse cada vez maior o numero de proprietários de aparelhos de TV em cores. A abertura da sociedade em direção a maior permissividade e a descoberta do corpo como fonte de prazer foram imediatamente aproveitadas pelas mensagens publicitárias e, nessa onda, passou-se a fazer propaganda com produtos antes considerados tabus, como tampões absorventes e preservativos. Impermeável a escalada da inflação, o consumo de luxo garantiu sua sobrevivência no final da década de 70, por meio de uma propaganda refinada e seletiva que vendia produtos, como novas marcas de cigarro, a preços altíssimos.

A HISTÓRIA DA PUBLICIDADE E DA PROPAGANDA NO BRASIL:Participação do Brasil na guerra, racionalização e ressureição do mercado


Em 1942, um decreto do governo brasileiro restringe o consumo de produtos derivados do petróleo e, por precaução, um blackout total em toda orla marítima do país foi estabelecido. Como saída, os anunciantes aproveitaram, mais uma vez, o tema para satirizar os anúncios e incentivar o consumo de seus respectivos produtos. As empresas automobilísticas divulgaram a utilização do gasogênio (gás combustível produzido pela queima do carvão) como tentativa de enfrentar o racionamento ocasionado pela guerra.
O fim da segunda grande guerra, em 1945, trouxe também a normalização do transporte marítimo e, aos poucos, todo o país foi se reestabelecendo. Neste momento, os tecidos sintéticos, filmes americanos, bebidas e a Maizena configuram os anunciantes de destaque. A publicidade é feita de forma cada vez mais otimista e informativa, surge no mercado a abertura de crediários e todas as mudanças sociais da época são refletidas nas campanhas durante os intervalos das novelas de rádio. O formato inovador de oferecer o produto ao cliente é expresso através de uma palavra inédita para o período: criatividade (100 ANOS DE PROPAGANDA, 1980).


Dentre as inovações nos aspectos técnicos da publicidade, no pós-guerra, surge a preocupação com a linguagem direta e com o apelo visual. Na moda, os desfiles, a sofisticação das vitrines e a contratação dos profissionais especializados em publicidade são novidades. As ilustrações são, aos poucos, substituídas por fotos de mulheres de aparência europeia vestidas com maiô. Quanto aos veículos de comunicação, inaugura-se em 18 de setembro de 1950 a TV Tupi, primeira emissora de TV na América Latina. Como consequência, surgem também as garotas propaganda e os comerciais transmitidos “ao vivo” nas primeiras telas, ainda em preto e branco, importadas pela GE dos Estados Unidos, onde já existia a TV a cores.
Em meio a tantas novidades no setor publicitário, em 1951, o Anuário de Publicidade reúne em São Paulo e no Rio de Janeiro profissionais das principais agências do país para premiação dos melhores anúncios do ano. Na premiação do ano, destacam-se as campanhas da Brahma, Coca-Cola, Gillette, do cigarro Souza Cruz e do sabonete Eucalol. O investimento das propagandas fez com que, em 1953, já existissem 130 agências de publicidade no país. Dois anos depois, realiza-se no Rio de Janeiro o I Congresso de Propaganda, e é criado o Instituto Verificador de Circulação (IVC). A propaganda e a publicidade começam a ganhar, cada vez mais, um ar profissional e passa a ser ponto fundamental no sucesso das empresas.

A HISTÓRIA DA PUBLICIDADE E DA PROPAGANDA NO BRASIL: Surgimento do radio e do comportamento de massa


A crise de 1929, as revoluções de 30 e de 32 e os golpes militares não prejudicaram de forma relevante o desenvolvimento da propaganda no Brasil. É neste período que surge a frase que talvez seja a mais celebre do universo publicitário “A propaganda é a alma do negócio” e é exatamente o crescimento acelerado desses negócios que enchia os olhos dos grandes e pequenos comerciantes da época. O surto industrial dos anos 30 fizeram com que a publicidade florescesse de forma mais profissional e, dessa forma, começasse a se autopromover com slogans como “Assim como me vê, são vistos os anúncios neste bond”.
Em busca de contornar todas as crises do período, anunciantes dos 30 utilizavam trocadilhos com a situação atual para aumentarem as venda. É o caso da campanha da magazine de roupas “Ao preço fixo” que lançou o slogan “O governo é provisório, mas o preço é fixo” em alusão ao governo provisório da revolução de 1930 (fig. 3).



Fig. 3 – Slogan de Ao Preço Fixo de 1933
Fonte: 100 ANOS de propaganda. Abril Cultural: 1980, pag. 65.


O inicio da popularização dos meios de comunicação em massa, fizeram do rádio o maior veículo de comunicação do país na década de 30. Mais de 400 000 aparelhos transmitiam informações em tempo real para centenas de casas brasileiras e influenciavam de forma mais rápida e eficaz o comportamento do público na época. O papel do rádio, da imprensa e do cinema na sociedade tornou-se, para muitos, um problema de interesse e, para alguns, uma fonte de preocupação. De maneira crescente, os principais grupos políticos, dentro os quais as grandes empresas ocupam a posição mais espetacular, passaram a adotar técnicas de manipulação das massas através da propaganda, em lugar de meios mais diretos de controle. Esses meios assumiram a tarefa de ajustar o público de massa ao status quo social e econômico (LAZARSFELD, P. F; MERTON, R. K., 19-?).
Na década seguinte, as indústrias se concentravam nas grandes capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Salvador e Porto Alegre que, juntas, contavam com 479 570 operários. Além disso, a Companhia Telefônica Brasileira, a rede de hotelaria e as marcas de cigarro se expandiam juntamente com a cidade e, como consequência, o poder de consumo bem como a vontade de consumir cada vez mais cresciam de forma cada vez mais acelerada contribuindo, assim, para evolução da propaganda no país.

A HISTÓRIA DA PUBLICIDADE E DA PROPAGANDA NO BRASIL:Grandes mudanças do século XIX ao XX


A propaganda, segundo Marilena Chauí (2001), foi utilizada como amplificadora dos interesses ideológicos e políticos pregados pelos detentores dos meios de comunicação. Para Pyr Marcondes o “(...) comércio, indústria e gente em geral precisavam transmitir a outros comércios, industrias e gente em geral uma serie de informações” (2002, p.14). No Brasil, embora a atividade de publicidade e propaganda seja contemporânea ao período de descobrimento do país (QUEIROZ, 20-?) os estudos sobre ela foram aprofundados somente à partir do século XX e, ainda hoje, são considerados superficiais.
No século XIX, o dinheiro de papel substitui as moedas e, no mesmo período, surge o jornal Gazeta do Rio de Janeiro inaugurando a imprensa brasileira. O jornal tinha como público alvo os portugueses que aqui residiam e publicava anúncios simples e sem ilustrações oferecendo serviços como a venda ou aluguel de casas e ofertas de escravos. Inicialmente intitulados reclames, os primeiros não tinham como pretensão de convencer ou persuadir o consumidor, mas tão somente o de comunicar as pessoas a existências de determinados objetos e serviços (PINHO, 1990), assim, apresentavam de forma geral apenas informações sobre a localização do que era anunciado. (Fig. 1)


A propaganda só conheceu uma verdadeira expansão, contudo, no final do século XIX. A tecnologia e as técnicas de produção em massa já tinham atingido um nível de desenvolvimento em que um maior numero de empresa produzia mercadorias de qualidade mais o menos iguais a preços mais o menos iguais. Com isso, veio à superprodução e a sub demanda tornando necessário estimular o mercado, mudando o modo da técnica de proclamação e persuasão (MARTINS, 1999, p.39).

Fig.1 – Propaganda de 1878
 
Fonte: 100 ANOS de propaganda. Abril Cultural: 1980, pag. 5.


Os primeiros painéis de rua surgiram por volta de 1860 juntamente com as bulas de remédio e os panfletos de propaganda. O crescimento das cidades e o aumento nas ofertas de bens e serviços alterou, gradativamente, o formato dos anúncios que, em pouco tempo de existência, já oferecia, em 1875, ilustrações de artistas plásticos além de poesias e textos de autores consagrados pelo romantismo no Brasil. Surgia então, a preocupação com a fixação da marca na mente do consumidor com a criação dos primeiros logotipos que eram acompanhados do respectivo endereço do estabelecimento.  O textos eram compostos com uma grande variedade de tipos e ganharam maior destaque no jornais Mequetrefe e O Mosquito que anunciavam peças ilustradas com desenhos, litogravuras e os logotipos e, principalmente, em 1898 quando surgiu o primeiro jornal de propaganda comercial intitulado como O Mercúrio que era impresso em duas cores (100 ANOS DE PROPAGANDA, 1980, p. 3).
A influência norte-americana se faziam presente nos anúncios de artigos importados enquanto os franceses influenciavam todo e qualquer aspecto relacionado a moda nacional. Era comum dar nomes franceses a lojas de confecções e, além disso, todas as roupas e acessórios eram confeccionados com traços do requinte e do bom gosto francês. A eficácia dos medicamento da época era associada nos anúncios à santos milagrosos deixando clara a predominância do catolicismo até mesmo na hora da compra.
Com o país sob o comando da elite agraria na Republica Velha e em meio a vários conflitos internos, por volta de 1900 surge a primeira revista brasileira intitulada Revista da Semana no Rio de Janeiro. A importação de máquinas e de novas técnicas de impressão impulsionou o crescimento do setor que ganhava mais cor e bom gosto na sua fase “art- nouveau”. As sátiras políticas ganhavam espaço neste novo cenário (100 ANOS DE PROPAGANDA, 1980, p. 15) e, de certo modo, camuflavam as mazelas do governo tentando, dessa forma, evitar o surgimento de revoltas. Nos anos seguintes, a Caixa Econômica começava a aparecer como grande anunciante, e o Stereographo era anunciado como a grande novidade. Destacavam também as águas minerais, como a Caxambu, anúncios de chapeis masculinos e de marcas de cerveja. A cultura machista da época influenciava diretamente os anúncios que, em grande parte eram voltados para o público masculino ou para produtos que gerassem sua “satisfação” como, por exemplo, roupas que sensualizavam a mulher. Ainda no inicio do século, a invenção de Santos-Dumont fez do avião o destaque nos anúncios (Fig. 2) .  No mesmo período, surge a revista Fon-Fon com um nome alusivo ao automóvel, porém, que mais tarde seria marca de cigarro (100 ANOS DE PROPAGANDA, 1980, p. 25).


 Fig. 2 - Anúncio da água mineral Salutaris de 1909



Fonte: 100 ANOS de propaganda. Abril Cultural: 1980, pag. 25.



Nos primeiros anos do século XX, na época chamada Belle Époque o xarope Bromil aparece no nosso primeiro réclame yankee (outdoor) e, pouco antes de começar a Primeira Guerra Mundial nasce a Eclética, primeira agência de propaganda do país. Após a guerra, já haviam cinco agências na capital paulistana e as mudanças na cultura do consumo faziam surgir novidades como o anuncio de vestidos para a estação, cremes e tinturas demostrando que os olhos publicitários começavam a se voltar para o público feminino. Neste cenário de mudanças os nomes estrangeiros como Nestlé, Colgate e Parker ganhavam cada vez mais destaque e a General Motors já havia promovido pelo menos dois Salões do Automóvel (100 ANOS DE PROPAGANDA, 1980, p. 27). Para o publico infanto-juvenil o sucesso era o Tico-Tico fundado em 1905 e considerada a revista mais famosa do país em 1915.
Políticos famosos e mulheres estampavam os principais cartazes ao redor das cidades sendo, os primeiros, utilizados  para campanhas de produtos de uma forma mais geral enquanto restava às mulheres os anúncios de remédios, que utilizavam a justificativa de que as mulheres eram mais vulneráveis a doenças, e apelações eróticas, como nas campanhas de lança perfumes grandes sucessos dos anos 20.

A HISTÓRIA DA PUBLICIDADE E DA PROPAGANDA NO BRASIL (Parte 1)


 Primeiras utilizações, surgimento e origem dos termos publicidade e propaganda

A necessidade de se comunicar e o surgimento da comunicação estão diretamente relacionados com o que hoje chamamos de propaganda. Desde os primórdios, mesmo antes da existência do termo, a propaganda era usada com o objetivo de promover-se sobre um grupo através de demonstrações de força e de outros elementos que promoviam o individuo diante de seu bando, ou ainda o destacava perante outros machos durante a conquista de uma fêmea. Segundo Martins (1999, p.35) já tentou-se dar um ar científico à origem da propaganda, dizendo que quando o homem das cavernas pendurava uma pele de animal na entrada de sua caverna, esse ser pré-histórico já estava fazendo sua divulgação do produto aos interessados. De fato, o homem sempre buscou comunicar-se com seu próximo e, desde os primeiros minutos de vida, manifesta por meio do choro indícios dessa necessidade.
Muito se discute sobre a definição e distinção dos termos propaganda e publicidade. Malanga (1987, p.10) conceitua propaganda como “atividades que tendem a influenciar o homem, com o objetivo religioso, politico ou cívico. Propaganda portanto, é a propagação de ideias, mas sem finalidade comercial”. Por outro lado, o mesmo autor defende como publicidade a divulgação feita com objetivos lucrativos que convence o consumidor a comprar determinado produto ou serviço oferecendo em troca sentimentos de conforto e prazer. Porém, no Brasil e em alguns países latinos, publicidade e propaganda são entendidos como termos sinônimos ou empregados indistintamente (PINHO, 1990, p.16). Ou seja, no Brasil, embora existam diversos debates sobre as divergências entre os termos, estes são considerados equivalentes e o próprio mercado publicitário encarrega-se de utilizá-los assim.
O termo propaganda, derivado do latim “propagare” que significa plantar uma muda no solo para uma nova reprodução, teve sua origem depois que a Igreja criou uma Congregação religiosa para propagar a fé (SAMPAIO, 1999, p.19) fundada pelo Papa Clemente VIII em 1597. Segundo Pinho (1990, p.20) essa Congregação teve como objetivo fundar seminários destinados a formar missionários para difundir a religião e a imprimir livros religiosos e litúrgicos, procurando contrapor-se aos atos ideológicos e doutrinários da Reforma Luterana no século XVI.
Dois séculos depois, a neutralização, e quase desaparecimento, do sistema feudal e o fortalecimento das práticas industriais, impulsionado pela invenção da máquina a vapor, influenciou diversas mudanças sociais que afetaram drasticamente o modo de pensar e de agir desta “nova sociedade”. O intenso êxodo rural, provocado pela migração de pessoas do campo para cidade em busca de trabalho, fez surgir grandes centros urbanos com pouca ou nenhuma estruturação e, como consequência, o homem passa a viver a individualidade forçada pelo clima “tumultuado” das metrópoles da qual não estava acostumado no campo tornando-se, assim, vulnerável a diversos tipos de influências ideológicas que pudessem novamente o propiciar todo calor humano perdido no novo modelo social (SILVA, [201?]).


O surgimento das classes mercantis e comerciais, a descoberta de novos mundos e, mais tarde, a Revolução Industrial, fez com que a Igreja Católica perdesse seu monopólio na propagação de ideias. Com isso se torna uma atividade peculiar a vários tipos de organizações econômicas, sociais e politicas. (PINHO, 1990, P.20)


Para Eugênio Marcondes (2002, p.15) com o constante e avançado crescimento das cidades, a publicidade funcionou como apoio informativo do capitalismo em um momento onde a população crescia de forma alarmante. Após a queda do sistema feudal e o crescimento exacerbado da metrópoles, as pessoas deixaram de se conhecer por nome e sobrenome, a vida urbana passou a sofisticar-se em opções e “contar aos outros” transformou-se em comunicar alguma coisa ao mercado.

O QUE É O TIG?



Aprender que o processo de aquisição do saber pode ser mais importante que o próprio saber. Este é um dos princípios da disciplina TIG, que promove o papel ativo dos estudantes na construção do conhecimento. 

O Trabalho Interdisciplinar de Graduação é uma proposta prática cujo tema está diretamente relacionado à formação de habilidades específicas e globais, e competências do curso descritas nas Diretrizes Curriculares Nacionais. O objetivo da disciplina é contribuir para uma formação profissional, humana e cidadã dos alunos da instituição, ajudando-os na sua inserção político-social. 

Através da elaboração coletiva e da troca de experiências, a inclusão da disciplina TIG na estrutura curricular dos cursos do UniBH vem propiciar uma constante avaliação e revitalização dos processos de ensino e aprendizagem. 

O professor se organiza para planejar suas ações, avaliar suas consequências e replanejá-las. Os alunos trabalham em grupos de forma sistemática, organizada e solidária, tanto em sala de aula quanto em outros espaços de aprendizagem, visando a construir uma autonomia acadêmica, intelectual, política e profissional. 

Desenvolvido em todos os períodos ou módulos cujas matrizes curriculares contemplem a disciplina, o TIG é elaborado a partir de atividades em classe, bem como em atividades de estudo e pesquisa realizadas fora de sala de aula. Os alunos serão orientados pelo professor da disciplina sobre as regras de construção, apresentação e avaliação do trabalho interdisciplinar, sempre em conformidade com os Planos de Ensino indicados pelos professores nos referidos componentes curriculares. 





Fonte: Portal Unibh