quarta-feira, 29 de maio de 2013

A HISTÓRIA DA PUBLICIDADE E DA PROPAGANDA NO BRASIL:Grandes mudanças do século XIX ao XX


A propaganda, segundo Marilena Chauí (2001), foi utilizada como amplificadora dos interesses ideológicos e políticos pregados pelos detentores dos meios de comunicação. Para Pyr Marcondes o “(...) comércio, indústria e gente em geral precisavam transmitir a outros comércios, industrias e gente em geral uma serie de informações” (2002, p.14). No Brasil, embora a atividade de publicidade e propaganda seja contemporânea ao período de descobrimento do país (QUEIROZ, 20-?) os estudos sobre ela foram aprofundados somente à partir do século XX e, ainda hoje, são considerados superficiais.
No século XIX, o dinheiro de papel substitui as moedas e, no mesmo período, surge o jornal Gazeta do Rio de Janeiro inaugurando a imprensa brasileira. O jornal tinha como público alvo os portugueses que aqui residiam e publicava anúncios simples e sem ilustrações oferecendo serviços como a venda ou aluguel de casas e ofertas de escravos. Inicialmente intitulados reclames, os primeiros não tinham como pretensão de convencer ou persuadir o consumidor, mas tão somente o de comunicar as pessoas a existências de determinados objetos e serviços (PINHO, 1990), assim, apresentavam de forma geral apenas informações sobre a localização do que era anunciado. (Fig. 1)


A propaganda só conheceu uma verdadeira expansão, contudo, no final do século XIX. A tecnologia e as técnicas de produção em massa já tinham atingido um nível de desenvolvimento em que um maior numero de empresa produzia mercadorias de qualidade mais o menos iguais a preços mais o menos iguais. Com isso, veio à superprodução e a sub demanda tornando necessário estimular o mercado, mudando o modo da técnica de proclamação e persuasão (MARTINS, 1999, p.39).

Fig.1 – Propaganda de 1878
 
Fonte: 100 ANOS de propaganda. Abril Cultural: 1980, pag. 5.


Os primeiros painéis de rua surgiram por volta de 1860 juntamente com as bulas de remédio e os panfletos de propaganda. O crescimento das cidades e o aumento nas ofertas de bens e serviços alterou, gradativamente, o formato dos anúncios que, em pouco tempo de existência, já oferecia, em 1875, ilustrações de artistas plásticos além de poesias e textos de autores consagrados pelo romantismo no Brasil. Surgia então, a preocupação com a fixação da marca na mente do consumidor com a criação dos primeiros logotipos que eram acompanhados do respectivo endereço do estabelecimento.  O textos eram compostos com uma grande variedade de tipos e ganharam maior destaque no jornais Mequetrefe e O Mosquito que anunciavam peças ilustradas com desenhos, litogravuras e os logotipos e, principalmente, em 1898 quando surgiu o primeiro jornal de propaganda comercial intitulado como O Mercúrio que era impresso em duas cores (100 ANOS DE PROPAGANDA, 1980, p. 3).
A influência norte-americana se faziam presente nos anúncios de artigos importados enquanto os franceses influenciavam todo e qualquer aspecto relacionado a moda nacional. Era comum dar nomes franceses a lojas de confecções e, além disso, todas as roupas e acessórios eram confeccionados com traços do requinte e do bom gosto francês. A eficácia dos medicamento da época era associada nos anúncios à santos milagrosos deixando clara a predominância do catolicismo até mesmo na hora da compra.
Com o país sob o comando da elite agraria na Republica Velha e em meio a vários conflitos internos, por volta de 1900 surge a primeira revista brasileira intitulada Revista da Semana no Rio de Janeiro. A importação de máquinas e de novas técnicas de impressão impulsionou o crescimento do setor que ganhava mais cor e bom gosto na sua fase “art- nouveau”. As sátiras políticas ganhavam espaço neste novo cenário (100 ANOS DE PROPAGANDA, 1980, p. 15) e, de certo modo, camuflavam as mazelas do governo tentando, dessa forma, evitar o surgimento de revoltas. Nos anos seguintes, a Caixa Econômica começava a aparecer como grande anunciante, e o Stereographo era anunciado como a grande novidade. Destacavam também as águas minerais, como a Caxambu, anúncios de chapeis masculinos e de marcas de cerveja. A cultura machista da época influenciava diretamente os anúncios que, em grande parte eram voltados para o público masculino ou para produtos que gerassem sua “satisfação” como, por exemplo, roupas que sensualizavam a mulher. Ainda no inicio do século, a invenção de Santos-Dumont fez do avião o destaque nos anúncios (Fig. 2) .  No mesmo período, surge a revista Fon-Fon com um nome alusivo ao automóvel, porém, que mais tarde seria marca de cigarro (100 ANOS DE PROPAGANDA, 1980, p. 25).


 Fig. 2 - Anúncio da água mineral Salutaris de 1909



Fonte: 100 ANOS de propaganda. Abril Cultural: 1980, pag. 25.



Nos primeiros anos do século XX, na época chamada Belle Époque o xarope Bromil aparece no nosso primeiro réclame yankee (outdoor) e, pouco antes de começar a Primeira Guerra Mundial nasce a Eclética, primeira agência de propaganda do país. Após a guerra, já haviam cinco agências na capital paulistana e as mudanças na cultura do consumo faziam surgir novidades como o anuncio de vestidos para a estação, cremes e tinturas demostrando que os olhos publicitários começavam a se voltar para o público feminino. Neste cenário de mudanças os nomes estrangeiros como Nestlé, Colgate e Parker ganhavam cada vez mais destaque e a General Motors já havia promovido pelo menos dois Salões do Automóvel (100 ANOS DE PROPAGANDA, 1980, p. 27). Para o publico infanto-juvenil o sucesso era o Tico-Tico fundado em 1905 e considerada a revista mais famosa do país em 1915.
Políticos famosos e mulheres estampavam os principais cartazes ao redor das cidades sendo, os primeiros, utilizados  para campanhas de produtos de uma forma mais geral enquanto restava às mulheres os anúncios de remédios, que utilizavam a justificativa de que as mulheres eram mais vulneráveis a doenças, e apelações eróticas, como nas campanhas de lança perfumes grandes sucessos dos anos 20.

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