quarta-feira, 29 de maio de 2013

A HISTÓRIA DA PUBLICIDADE E DA PROPAGANDA NO BRASIL (Parte 1)


 Primeiras utilizações, surgimento e origem dos termos publicidade e propaganda

A necessidade de se comunicar e o surgimento da comunicação estão diretamente relacionados com o que hoje chamamos de propaganda. Desde os primórdios, mesmo antes da existência do termo, a propaganda era usada com o objetivo de promover-se sobre um grupo através de demonstrações de força e de outros elementos que promoviam o individuo diante de seu bando, ou ainda o destacava perante outros machos durante a conquista de uma fêmea. Segundo Martins (1999, p.35) já tentou-se dar um ar científico à origem da propaganda, dizendo que quando o homem das cavernas pendurava uma pele de animal na entrada de sua caverna, esse ser pré-histórico já estava fazendo sua divulgação do produto aos interessados. De fato, o homem sempre buscou comunicar-se com seu próximo e, desde os primeiros minutos de vida, manifesta por meio do choro indícios dessa necessidade.
Muito se discute sobre a definição e distinção dos termos propaganda e publicidade. Malanga (1987, p.10) conceitua propaganda como “atividades que tendem a influenciar o homem, com o objetivo religioso, politico ou cívico. Propaganda portanto, é a propagação de ideias, mas sem finalidade comercial”. Por outro lado, o mesmo autor defende como publicidade a divulgação feita com objetivos lucrativos que convence o consumidor a comprar determinado produto ou serviço oferecendo em troca sentimentos de conforto e prazer. Porém, no Brasil e em alguns países latinos, publicidade e propaganda são entendidos como termos sinônimos ou empregados indistintamente (PINHO, 1990, p.16). Ou seja, no Brasil, embora existam diversos debates sobre as divergências entre os termos, estes são considerados equivalentes e o próprio mercado publicitário encarrega-se de utilizá-los assim.
O termo propaganda, derivado do latim “propagare” que significa plantar uma muda no solo para uma nova reprodução, teve sua origem depois que a Igreja criou uma Congregação religiosa para propagar a fé (SAMPAIO, 1999, p.19) fundada pelo Papa Clemente VIII em 1597. Segundo Pinho (1990, p.20) essa Congregação teve como objetivo fundar seminários destinados a formar missionários para difundir a religião e a imprimir livros religiosos e litúrgicos, procurando contrapor-se aos atos ideológicos e doutrinários da Reforma Luterana no século XVI.
Dois séculos depois, a neutralização, e quase desaparecimento, do sistema feudal e o fortalecimento das práticas industriais, impulsionado pela invenção da máquina a vapor, influenciou diversas mudanças sociais que afetaram drasticamente o modo de pensar e de agir desta “nova sociedade”. O intenso êxodo rural, provocado pela migração de pessoas do campo para cidade em busca de trabalho, fez surgir grandes centros urbanos com pouca ou nenhuma estruturação e, como consequência, o homem passa a viver a individualidade forçada pelo clima “tumultuado” das metrópoles da qual não estava acostumado no campo tornando-se, assim, vulnerável a diversos tipos de influências ideológicas que pudessem novamente o propiciar todo calor humano perdido no novo modelo social (SILVA, [201?]).


O surgimento das classes mercantis e comerciais, a descoberta de novos mundos e, mais tarde, a Revolução Industrial, fez com que a Igreja Católica perdesse seu monopólio na propagação de ideias. Com isso se torna uma atividade peculiar a vários tipos de organizações econômicas, sociais e politicas. (PINHO, 1990, P.20)


Para Eugênio Marcondes (2002, p.15) com o constante e avançado crescimento das cidades, a publicidade funcionou como apoio informativo do capitalismo em um momento onde a população crescia de forma alarmante. Após a queda do sistema feudal e o crescimento exacerbado da metrópoles, as pessoas deixaram de se conhecer por nome e sobrenome, a vida urbana passou a sofisticar-se em opções e “contar aos outros” transformou-se em comunicar alguma coisa ao mercado.

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