quarta-feira, 29 de maio de 2013

A HISTÓRIA DA PUBLICIDADE E DA PROPAGANDA NO BRASIL: Produtos e status


O creme dental Kolynos inaugura, uma nova era com o texto “Gente de espírito moço, que precisa causar boa impressão, prefere Kolynos...” associando status e agregando valores inéditos nos anúncios. Em meados da década de 70, a televisão se transforma no grande veículo da comunicação de massa e os investimentos do Produto Nacional Bruto no setor passam de 0,7% para 1,3% em menos de duas décadas. O crescimento acelerado na propaganda fez com as técnicas de marketing também se aprimorassem rapidamente e, agora, a pesquisa estatística determina os veículos publicitários mais adequados para cada produto. 


A publicidade se sofistica e passa a atender aos anseios dos “brasões” da nova riqueza: automóveis como o Fissore, da Vemag, aparecem como símbolo de nobreza e status. Porém, os produtos para o lar continuam a ser os mais consumidos e, agora, as donas de casa buscam a praticidade com o objetivo de aumentarem suas horas de lazer. Além de homens e mulheres adultos, o mercado jovem também constituía um dos três principais públicos alvo da época.
Neste período, crescem nos anúncios os apelos pela violência e radicalização, com influência do movimento estudantil no Ocidente, e os eróticos, por meio do uso do corpo feminino, abrindo a era da liberação dos costumes. A sociedade mudava culturalmente e as mulheres passam a ser cada vez mais independentes, tanto no campo profissional como no existencial.
Pouco a pouco, a publicidade e os meios de comunicação de forma geral influenciavam as mudanças no costume de cada consumidor. Os interesses econômicos do país falavam mais alto em relação ao que seria publicado nos anúncios, como no caso do incentivo ao consumo de café solúvel nacional, sujo estoque estava difícil de ser vendido nos Estados Unidos. Sobre este mesmo aspecto, podemos citar ainda a ideia de “Brasil, grande potência” impregnada na consciência do consumidor através de campanhas de incentivo da alfabetização e da construção da rodovia transamazônica.

O governo ditatorial da década de 70 pregava, através da propaganda, o espirito de nacionalidade presente nos constantes anúncios que elogiavam e idolatravam a pátria e o governo da época. O motim que reinava no país neste período não atrapalhou o desenvolvimento da propaganda que, como sempre, com a ajuda da criatividade fazia de toda e qualquer situação o motivo do sucesso de vendas dos produtos e serviços anunciados. Apesar de toda a repressão gerada pelo regime, o governo militar realizou o milagre econômico que transformou radicalmente a imagem do país nos anos 70. O bolso cheio e o orgulho pelo tricampeonato mundial de futebol influenciou o consumidor a comprar cada vez mais o que, sem duvidas, enchia os olhos dos publicitários do período que organizavam campanhas cada vez mais confiantes. 

A inflação galopante do período, responsável pelo nascimento da nota de 1000 cruzeiros, não impediu que ficasse cada vez maior o numero de proprietários de aparelhos de TV em cores. A abertura da sociedade em direção a maior permissividade e a descoberta do corpo como fonte de prazer foram imediatamente aproveitadas pelas mensagens publicitárias e, nessa onda, passou-se a fazer propaganda com produtos antes considerados tabus, como tampões absorventes e preservativos. Impermeável a escalada da inflação, o consumo de luxo garantiu sua sobrevivência no final da década de 70, por meio de uma propaganda refinada e seletiva que vendia produtos, como novas marcas de cigarro, a preços altíssimos.

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